O famoso dito popular o qual nos remete o título do post não faz sentido nenhum se o contexto a ser analisado for o futebol brasileiro e as ramificações que o tangem. Levando-se em conta os recentes acontecimentos, diria um pensador que o raio cai com extrema frequência no exato mesmo lugar quando analisadas as notícias esportivas: invasão de CT, morte em confronto entre torcedores rivais, racismo e futebol andando na mesma e tênue linha.

Estive conversando sobre o assunto em rodas diversas e o ponto em consenso é o mesmo: não há organização suficiente nas entidades que gerem o futebol por aqui, desde sua essência até na omissão de punições. Analisando o processo como um todo, vemos que há muito com o que se preocupar: acham que o Irã, por exemplo, recebeu com olhos reticentes a notícia de que o local em que sua seleção se hospedará durante a Copa do Mundo foi invadido por vândalos trajados de torcedores organizados? Quanto foi o prejuízo para o Corinthians em termos de valor da marca? É simplesmente inadmissível nos depararmos com casos de polícia e esporte na mesma notícia; até quando “torcedores” irão utilizar a marca de um clube para promover anarquia? O estrago se alastra como fogo em pólvora, e está justamente aí o x da questão: não há punição permanente. Sim, alguns dos vândalos foram reconhecidos e presos, mas quem não acredita que no curto/ médio prazo eles já estarão frequentando os estádios Brasil afora?

É triste entender que os problemas se conectam, mesmo caso do torcedor santista morto covardemente por torcedores são-paulinos. O case dos hoolingans está mais do que estudado e só não o usa como exemplo de como punir e afastar vândalos dos estádios e do contexto esportivo quem realmente não deseja fazer algo efetivo contra o problema.

O que falar de racismo no futebol? É simplesmente constatar que a Conmebol parou no tempo. Como não punir o clube que promove o espetáculo? É o mesmo caso de ver constantemente durante as partidas da Libertadores quando um jogador do time visitante tem que ser “escoltado” por policiais para bater um escanteio ou para se dirigir ao vestiário ao fim do jogo. Isso é arcaico, precário, passivo. Uma aula de como não ser efetivo na exploração do produto.

Tinga foi alvo de racismo no Peru. Até quando?

Tinga foi alvo de racismo no Peru. Até quando?

É uma reação em cadeia: não há segurança para quem promove, faz e acompanha o evento esportivo, assim há baixa procura. O resultado é o que vemos nas “grandes” competições disputadas por nossos clubes.

Voltando para o título do post, é possível sim o raio cair n vezes em um mesmo lugar. A menos que se coloque um bom e duradouro pára raio que solucione de vez o problema.

2013 chega ao fim e junto com a expectativa de um novo ano com grandes feitos no âmbito geral, 2014 chegará também com a expectativa de vivenciarmos o 2º mundial realizado em terras tupiniquins. E nós do Negócio Esporte listamos alguns comerciais que deram o que falar neste ano, sempre como o mote principal o Mundial de 14. Vale a pena conferir:

Brazuca, #tudoounada, Adidas:

#OuseSerBrasileiro, Nike:

Sorteio da Copa, Itaú:

Grande transformação, Itaú:

Copa de todo mundo, Coca-Cola:

Todos são bem-vindos, Visa:

Viva a Copa da Sua Vida, Sony:

Responsável como você, Liberty Seguros:

Caros amantes do esporte, já faz tempo que não atualizo a timeline do blog, sem muitas delongas. Neste período vi protestos acontecerem, o Bom Senso FC nascer – sim, ainda escreverei sobre o assunto, acompanho de camarote o desenrolar dos fatos – , propostas de mobilidade urbana terem seus prazos estendidos e estourarem a data prevista  – obviamente! – , vi memes virarem verdadeiras febres, visitas da comitiva da Fifa aprovarem o andamento nas obras dos estádios da Copa e etc. Mas o que acompanhamos hoje beira o absurdo: após pedidos de mudança e melhoria, o maior e mais competitivo campeonato estadual do Brasil voltou à modernidade do século passado.

Detalhe das grafias esdrúxulas no sorteio dos grupos do Paulistão Chevrolet 2014

Detalhe das grafias esdrúxulas no sorteio dos grupos do Paulistão Chevrolet 2014

Em um “evento” cheio de trapalhadas – assassinaram o português com a grafia “Assossiação” ao invés de “Associação”, apenas citando um dos fatos – a fórmula de disputa foi apresentada: 20 clubes, quatro grupos com 5 cada, todos jogam contra todos das chaves opostas – só não se enfrentam as equipes do mesmo grupo – os dois primeiros colocados de cada grupo passam às quartas – jogo único – , os vencedores se enfrentam nas semis – também jogo único – , e os clubes que chegarem à final decidem o torneio em dois jogos. Sim, teremos mais uma vez um campeonato inchado com 19 datas! Em pleno ano de Copa do Mundo! Esse é mais um dos absurdos envolvendo a política recorrente do “poderoso chefão” Del Nero à frente da FPF, em uma busca insaciável em agradar ao máximo seus “aliados”, claro, visando a presidência da entidade máxima do futebol aqui no Brasil.

Tempo de preparação? Fórmula esdrúxula? Preocupação com o torcedor? Amigos, não se espantem se este Paulistão Chevrolet ser um completo fiasco em audiência, público e tantos outros indicadores do completo fracasso.

Messi e Neymar, pouco antes da partida entre Barcelona e Santos, no Camp Nou. (foto: divulgação)

Messi e Neymar, pouco antes da partida entre Barcelona e Santos, no Camp Nou. (foto: divulgação)

 

Nos últimos dias vimos dois dos principais clubes brasileiros irem além dos domínios brasileiros em busca de expansão e internacionalização de suas marcas e de valores astronômicos das cotas televisivas pela cobertura dos eventos transmitidos para muitos países do globo,  além de mais canecos para a galeria de troféus. O que foi esquecido na verdade foi o mais básico: apresentar um produto de qualidade ao mundo, ou seja, jogar futebol. É bem verdade que o São Paulo venceu o português Benfica, pela Eusébio Cup, mas é extremamente pouco para as expectativas nacionais e, por que não, as expectativas do público internacional. E assim, é inevitável questionarmos: em determinados momentos, vale a pena excursionar mundo afora?

Primeiramente, o que é preciso ser bem entendido e consequentemente praticado é o posicionamento das marcas desses clubes aqui no Brasil: há um real entendimento de onde se está ( e onde se quer chegar) aqui no Brasil? Quem são os consumidores? Estou atingindo-os de forma eficaz? Há satisfação? O trabalho é feito de forma coesa para podermos vislumbrar voos maiores? Falando de performance, é necessário principalmente entender o momento vivido pelas equipes, se há possibilidade de, com a participação brasileira, proporcionar um grande espetáculo e assim contribuir de forma significativa.

Um problema que enfrentamos por aqui é o calendário: ora, se é proposto enfrentarmos times da Europa, precisamos adequar nosso calendário à Europa. O que vimos no Camp Nou, por exemplo, foi sim um jogo em ritmo de treino por parte do Barcelona, mas um futebol acovardado do time santista. E é essa característica que é mais preocupante, que arranha não só a imagem do clube praiano, mas de uma nação que respira futebol. Afinal, no quesito exposição de marca, alguém acredita que o retorno tenha sido positivo? “Essas são as fortes e estruturadas equipes do chamado país de futebol”?

A verdade é que nosso futebol está muito ultrapassado, não há espaço para participações medianas como as que tivemos. Precisamos sim procurar formas de alavancar nossas receitas e mirar expansão de mercado – quando chega-se à conclusão estruturada que assim deve ser feito – em tempo. E é por isso que o título do post é válido.

Ele conquistou títulos, fez o mundo conhecer seu talento com belos gols, abraçou causas, se uniu a patrocinadores, é o rosto de uma seleção brasileira cercada de porquês e, finalmente, realizou seu sonho de criança: depois de muitas negociações, Neymar Jr foi apresentado pelo Barcelona. Discurso humilde, o craque arriscou ainda algumas palavras em catalão e fez embaixadinhas para o delírio da torcida presente ao Camp Nou. Mas o que faz – e a partir de agora, fará com grande alcance – da joia brasileira um astro global? Na onda da Neymarmania, o Negócio Esporte elencou dez razões que fazem do craque uma avalanche no âmbito internacional dos negócios.

1) Neymar foi negociado com o Barcelona pela quantia de 57 milhões de euros. É a 2º maior contratação do clube, ficando atrás apenas de Zlatan Ibrahimvovic, com 69,5 milhões de euros.

2) Mais de 56.000 pessoas presentes no Camp Nou em sua apresentação oficial pelo clube.

3) Pelo 2º ano consecutivo, Neymar é o atleta com maior valor comercial segundo a revista SportsPro.

4) O jogador terá sua imagem explorada pela empresa Doyen Global em âmbito internacional. No Brasil, esse papel cabe à 9ine e IMX.

5) Portais esportivos – em âmbito nacional e internacional – acompanharam ao vivo a apresentação do craque.

6) No dia do anúncio – 26 de maio – o site do Barcelona teve aumento de 184% de usuários únicos, com crescimento de 530% em page views, o maior registro da temporada. Já no dia de sua apresentação, foram mais de 670.000 usuários únicos, com 3.363 milhões de páginas visitadas – 52% com conteúdo sobre Neymar), um aumento de 151% em relação a uma segunda-feira comum.

7) No Instagram, o perfil oficial do clube catalão triplicou de fãs somente no dia do anúncio.

8) Na fanpage do Barcelona, a postagem oficializando a chegada do jogador obteve mais de 122 mil likes, enquanto no Twitter foram mais de 700 mil menções ao craque brasileiro.

9) Patrocinado pela Nike, o ex – camisa 11 do Santos é a estrela brasileira na campanha global da marca no lançamento da nova chuteira. Em evento no Rio de Janeiro, onde foi apresentada a 3º camisa da seleção brasileira, mais de 150 jornalistas estiveram presentes, entre eles 90 estrangeiros.

10) Pelo Twitter, o @FCBarcelona_es – perfil oficial do clube – marcou Neymar de perto: todos os passos do atacante, desde sua chegada à Barcelona até sua 1º entrevista coletiva, foram noticiados, sempre com a hashtag #NeymarFCB. No momento em que o craque entrou no gramado, foram 162 mil tweets com a palavra “Neymar”. Ao todo, foram mais de 650 mil menções durante todo o dia.

Neymar posa ao lado do escudo do Barcelona.

Neymar posa ao lado do escudo do Barcelona.

Neymar no gramado do Camp Nou, para delírio dos torcedores.

Neymar no gramado do Camp Nou, para delírio dos torcedores.Resumo dos conteúdos publicados pelo clube catalão.

Resumo dos conteúdos publicados pelo clube catalão.

 A partir de agora e com a mega exposição – marca do Barcelona por todo o mundo – Neymar se consolida como um dos grandes astros globais do esporte, equipara-se a Messi e Cristiano Ronaldo como o rosto preferido dos europeus. Não é por acaso que a “Neymarmanía” ou “El día de Neymar” transcendeu os limites da Catalunha e Espanha para ganhar o mundo.

Estádio Mané Garrincha, em Brasília, surge como possível plano- B (imagem: reprodução)

Estádio Mané Garrincha, em Brasília, surge como possível plano- B para a abertura da Copa. (imagem: reprodução)

Estamos vivendo um verdadeiro e irritante imbróglio político nas últimas semanas, caros leitores. Pela enésima vez – creio que assim como eu, muitos já tenham perdido a conta – fala-se em mudanças no que diz respeito à Copa do Mundo, sendo que a bola da vez noticia nada mais nada menos que pode acontecer uma mudança no local da abertura do mundial.

Nas últimas semanas e após Andrés Sanchez  – ex-presidente do Corinthians e agora responsável pela arena do clube – afirmar que as obras correm risco de serem paralisadas caso o montante vindo do BNDES não seja repassado “em poucas semanas”, noticia-se que Brasília surge como um “plano B” caso os trâmites não sejam resolvidos.

Infelizmente vamos a algumas questões pertinentes:

1) Será que todos os responsáveis – governo, empreiteiras, bancos e organizações financeiras – não percebem que estamos cada vez mais, em termos gerais,  acabando com a imagem do Brasil? Será mesmo que ainda passamos credibilidade?

2) São Paulo: primeiramente ocorreu o veto ao Morumbi, especulou-se a construção de uma arena em Pirituba, e no momento vivemos esse imbróglio com relação à Arena Corinthians. O maior centro econômico do país – caso não haja resolução dos ocorridos –  ficará somente sem a abertura ou será excluído da Copa? E os investimentos já realizados, quem paga a conta?

3) Por que todas essas discussões vêm à tona somente em março de 2013, às portas da Copa das Confederações, que garantem maior repercussão e assim pressiona-se para uma “maior agilidade” das partes envolvidas? Por que não cobrar no momento em que os acordos foram descumpridos, “chantagem política”?

A Fifa, obviamente, pressiona. O ministério do esporte através de Aldo Rebelo demonstra preocupação com o desfecho do imbróglio, e políticos brasilienses já trabalham na hipótese de sediarem o jogo inaugural de 2014. Segundo os mesmos, é bom para o comércio, para o turismo, e principalmente, para a imagem de Brasília – “por acaso” nossa capital. Teoricamente um jogo de cartas marcadas.

Kevin Beltrán Espada: vítima da impunidade. (Foto: divulgação)

Kevin Beltrán Espada: vítima da impunidade. (Foto: divulgação)

A última semana foi trágica, caros leitores. Que me perdoem se for muito mais emoção do que razão neste post, mas deixarei aqui transparecer minha visão do ocorrido na Bolívia, já visto por toda América e pelo mundo: futebol e tragédias andando juntos.

Muito se falou da medida cautelar imposta ao Corinthians – vai jogar com portões fechados nos jogos em casa e não terá direito à carga de ingressos nos jogos como visitante – mantida hoje pela Conmebol. Seria simplesmente inadmissível um fato visto como isolado – uma tragédia – passar impune, mesmo que ainda gerando discussões intermináveis sobre o justo e o correto deste caso. Não creio que seja injusta a punição determinada ao Corinthians, o impressionante é não punir o boliviano San José, mandante e responsável pelo “espetáculo” esportivo da primeira rodada do grupo 5. Neste sentido e com base no regulamento, como foi permitida a entrada de torcedores com sinalizadores navais dentro de um estádio? A proibição de artigos desta magnitude é apenas figuração, um mero chamariz à Fifa?

Se foi preciso ser tirada uma vida para que atitudes reais sejam tomadas, para que seja definitivamente representado o “marco zero” da reorganização do futebol e da Conmebol, que assim seja feito. Mas é preciso pensar no âmbito geral: aeroportos estruturados, segurança e entorno de estádios com condições, facilidades aos torcedores quanto à entrada no estádio, boas estruturas internas, serviços de qualidade e etc. E mais do que isso, é imprescindível garantir que tragédias como essa não se repitam.

Corinthians e demais brasileiros na Libertadores: como agir?

É fato que o Corinthians e os demais brasileiros enfrentarão clima hostil daqui para frente, mesmo até depois da resolução do caso. Mas pensem no seguinte cenário: imaginem uma Libertadores sem os clubes brasileiros; é óbvio que não teríamos o mesmo interesse, a mesma presença de público nas partidas e consequentemente o mesmo valor pago por patrocínio e TV. É improvável devido à rivalidade doméstica que temos por aqui, mas creio que os clubes deveriam se mobilizar e abandonar essa edição, mesmo que isso signifique arcar com punições nas próximas edições. Não podemos mais aceitar amadorismos na maior competição de clubes da América. De certa forma, os brasileiros estariam mostrando à Conmebol que “somos estruturados, não passaremos mais por situações ruins até que seja feita a adequação aos nossos padrões”.

Quanto ao Corinthians, perder mandos de campo não é o fim do mundo do ponto de vista mercadológico, há outras formas comerciais de atingir o montante que seria lucrado com a venda de ingressos.

Torcidas organizadas: fim dos privilégios

O Corinthians instituição, assim como todos os demais clubes do Brasil, deveriam rever sua relação com as torcidas organizadas acabando com os privilégios que historicamente mais atrapalham do que ajudam. Os elementos são claros: perda humana, enfraquecimento da imagem e destruição de um posicionamento conquistado dentro e fora de campo – há menos de três meses o clube era manchete por feitos heroicos, referência de organização, presença em listas dos que mais faturaram em um ano. Hoje o clube é manchete em páginas policiais. Infelizmente a política deve prevalecer e então tudo continuará como de costume.

Por fim, ainda creio no verdadeiro sentido de se acompanhar futebol: futebol é cultura, é entretenimento, é o momento de socialização de classes. Daqui para frente quero ver entrevistas de grandes jogadores, não de advogados tentando explicar o inexplicável.

Área em que o alambrado cedeu na nova Arena gremista

Área em que o alambrado cedeu na nova Arena gremista (Crédito: Divulgação)

 

No final de janeiro ocorreu o segundo maior incêndio envolvendo vítimas no Brasil, na boate Kiss em Santa Maria, Rio Grande do Sul, tragédia que chocou e ainda deixa o país inteiro de luto. Mas, como neste espaço falamos de esporte, novamente afirmo que não, você não errou de blog. Na verdade e infelizmente, há muita correlação entre o que ocorreu nos solos gaúchos com o que vem acontecendo no esporte ultimamente, sempre às custas dos mesmos motivos: negligência e imperícia. Cumprimento de prazos pré-estabelecidos sem a devida análise, orçamentos supervalorizados e sem a devida fiscalização, não conhecimento das características do consumidor. Até quando, no quesito comercial, teremos que conviver com situações que marcam gol contra e que desvalorizam o produto esporte?

Paremos para pensar: aqui em São Paulo, assim como em alguns outros estados, forças políticas firmaram parcerias para fiscalizar estabelecimentos que estejam em descumprimento das práticas legais, seja quanto à estrutura ou a alvarás de funcionamento/licitações. Até quadra de escola de samba está na berlinda. Ora, por que não levar o modelo para as quadras, ginásios e arenas esportivas? Modelos que dão certo em outros setores são extremamente benéficos se implementados no esporte, assim tragédias e acidentes fatais poderiam ser evitados.

Exemplos negativos vimos e vemos aos montes. Podem ter caído no esquecimento (eis o problema), mas manchetes como “Jogador de futsal morre após se ferir durante partida”, e “Morre jogador de basquete atingido por tabela em treino” analisadas como fatalidade poderiam não acontecer, sem dúvidas. Quem não se lembra do ocorrido na final da fatídica Copa João Havelange, em 2000, onde a superlotação em São Januário culminando com a queda de uma das grades de separação das arquibancadas ocasionou caos generalizado, deixando mais de 150 feridos? Ok, é um fato ocorrido há mais de dez anos, mas o assustador é que erros provincianos – seja de estrutura, serviços ou mesmo fiscalização –  ainda são vistos hoje em dia.

Em seu primeiro jogo oficial na nova arena, o Grêmio viu as manchetes gloriosas pela vitória diante a LDU serem divididas com as que noticiavam o incidente com o alambrado, durante a “avalanche” após a comemoração do gol gremista, como fazem usualmente os torcedores da geral. Não é preciso entender de engenharia para saber que, de fato, o alambrado não iria aguentar a avalanche; é necessário apenas ter conhecimento sobre alguns hábitos e tradições: é impossível que, no âmbito geral da concessão da arena, órgãos construtores e de fiscalização não pensaram na avalanche. Diante do ocorrido, o clube decidiu colocar cadeiras na geral, ou seja, um hábito/ tradição de consumidores daquele local – pela setorização da arena – é quebrado.

O que falar da reinauguração do Mineirão? Filas aglomerantes na entrada do estádio, bares fechados antes do início da partida, assentos preferenciais desrespeitados e até mesmo falta de água. Nota-se realmente que a expectativa por serviços de qualidade não são reais. E isso contribui e muito para o afastamento dos torcedores, para a desvalorização do produto esportivo e consequentemente da captação de patrocínio.

O mundo está olhando para o Brasil, devemos antever o problema. O caminho ainda é longo, mas é intolerável que tragédias como a de Santa Maria ocorram, assim como incidentes intragáveis vividos no meio esportivo.

 

Há muito venho tentando postergar a abordagem do assunto, talvez até por não querer admitir – pelo fato de ser um árduo expectador, em tempo – que os estaduais, atualmente, são campeonatos praticamente mortos; mas é impossível não falar sobre, na realidade que vemos hoje. Entra ano, sai ano e as discussões são semelhantes em todo início de temporada: comercialmente falando e nos formatos atuais – com longas rodadas – por que os estaduais ainda existem?

Na teoria, o raciocínio é fácil: se a maioria da receita dos clubes, em âmbito geral, é proveniente da TV, quanto mais jogos transmitidos em PPV ou TV aberta, mais recursos os clubes têm, certo? Na prática, sabemos que essa realidade é infinitamente diferente.

Primeiramente pelo aspecto técnico: o calendário nacional está cada vez mais desumano, aliado ao pouco tempo de pré-temporada. É inadmissível, em um esporte em que se espera alto nível técnico, os clubes terem pouco tempo de preparação para campeonatos estaduais inchados – muitas vezes com jogos sem importância – que logo encavalam com o início do campeonato nacional, Libertadores e Copa do Brasil! As Federações precisam entender que os estaduais precisam pesar menos no calendário dos grandes clubes.

Assim, com muitas datas nos estaduais, acontece um “círculo vicioso” que se pode acompanhar a cada rodada que passa: como vivemos começo de temporada, os times grandes estão em formação  – ou, no caso de elencos já formados, estão no período de readaptação e busca de ritmo de jogo – logo, as partidas têm baixo nível técnico; assim, tem-se pouca procura; e essa situação nos leva à pouca renda, muitas das vezes, culminando com prejuízos nos cofres dos clubes.

Rodada a rodada, círculo que se pode acompanhar nos estaduais. (Crédito: divulgação)

Rodada a rodada, círculo que se pode acompanhar nos estaduais. (Crédito: divulgação)

Pelo viés estrutural: são poucos os estádios que possuem condições reais de receber um público ao menos satisfatório. Excluindo os estádios das capitais, o que se pode notar nos interiores da vida são estádios com acessos difíceis, estruturas precárias e pouca qualidade nos serviços prestados ao torcedor. Tudo isso ainda somado ao preço do tíquete médio: é comum times menores aumentarem o preço do ingresso quando recebem em seus domínios os grandes. Assim, do ponto de vista comercial, há muito o que rever: se oferece um mal serviço, o acesso é complicado, o preço não é condizente com a realidade e ainda o produto tem pouca qualidade.

Pelo viés de expansão de marca: é comum, nos times da Europa, que a pré-temporada seja feita fora do país, até do continente; um exemplo claro desse processo é o Barcelona, time mais popular na China. Por que não implementar esse modelo por aqui? Neste contexto, palmas para o Atlético do Paraná, que realizará sua pré-temporada na Espanha, disputando a Marbella Cup, torneio que reúne clubes do leste europeu, já que por lá os torneios são paralisados por conta do inverno rigoroso. É uma chance de valorizar a marca do clube diante de um público que não está acostumado a acompanhar o futebol brasileiro.

Como mudar?

Como sabemos, o início do processo a ser mudado passa pelo calendário. Não podemos mais ter campeonatos estaduais tão longos, travando a preparação dos clubes para os torneios da árdua temporada. Campeonatos de tiro curto, onde os times pequenos disputem uma fase preliminar e apenas um nº X de clubes passem a um “mata a mata”, por exemplo, com a presença dos grandes. Um modelo a se pensar, dentre outras possibilidades.

Fora a mudança na fórmula de disputa, é fundamental para os clubes expandirem suas marcas fora do Brasil. Penso que temos um enorme potencial a ser apresentado mundo afora. Mais do que isso, temos que deixar de lado o conceito de que “expansão de marca se faz apenas disputando torneios internacionais, como o Mundial e Libertadores”. Óbvio que estar em evidência ajuda, mas precisamos ir além, pensar que se pode conversar com diversos públicos independentemente dos resultados nas quatro linhas. Novamente cito os europeus, onde marcas como Manchester United, Real Madrid e Barcelona são  trabalhadas independentemente de resultados de Champions League ou campeonatos nacionais.

Que me perdoem aqueles que apreciam os estaduais, mas já passou da hora de pensarmos em possibilidades mais rentáveis aos clubes e às Federações, explorando e trabalhando com afinco o potencial de marca e a expansão comercial que os brasileiros têm.  Penso que, com as fórmulas de disputa existentes hoje em dia, a chance da pergunta do título ficar sem resposta – ou respostas vazias –  é grande.  

Imagine, amigo leitor, um campeonato com Neymar, Pato, Lúcio, Ronaldinho Gaúcho. Somam-se a esses craques qualquer outro ídolo que você possa estar imaginando, desses que só vemos por aqui de passagem ou pelos álbuns de colecionador. Teríamos, com certeza, o maior e melhor campeonato nacional do mundo, certo? Bem, este cenário pode sair do papel daqui há alguns anos.

Foi lançado,  na última semana, um grande projeto encabeçado pela Ambev intitulado “Por um Futebol Melhor” que visa integrar torcedores, clubes e grandes empresas. O grande objetivo deste inovador Movimento é sair do batido conceito de que programas de sócio-torcedor apenas oferecem facilidades na compra de ingresso por parte de seus consumidores, abrindo as portas para uma visão de que os mesmos podem usufruir também com descontos na compra de produtos e serviços. Durante o pomposo evento de lançamento – transmitido ao vivo por diversos portais, com direito a condução de Galvão Bueno e narração da campanha de Ronaldo – foram apresentados dados interessantes: atualmente, apenas 0,2% do PIB brasileiro é captado em recursos para os clubes; a meta é alcançar, até o ano de 2015, que esse número salte para a ordem dos 2% e assim, atinja o status de melhor campeonato nacional do mundo, aumentando substancialmente as receitas dos clubes participantes  para R$ 30 milhões/ mês. A grande aposta é atingir os fanáticos por futebol – segundo as pesquisas, este número no Brasil é de ao menos 2% – usando a paixão como plano de fundo.

Neste início, as empresas associadas são Bradesco, Burger King, Danone, Netshoes, Pepsico, Seara, Sky e Unilever, colocando em campo suas marcas no Movimento, como podemos acompanhar no vídeo explicativo a seguir:

De fato, são muitas marcas de credibilidade que nos faz acreditar no sucesso iminente do Movimento e, principalmente, praticamente exigem profissionalismo dos clubes e seus gestores: eis o grande salto na administração dos times por aqui. E é esta a reflexão inevitável que caímos: com recursos financeiros, os clubes brasileiros enfim passarão a ser importadores de jogadores, poderão investir em melhores estruturas e atrativos para o torcedor.

Pode parecer “discurso de político em época de eleição”, mas o título deste post é extremamente pertinente: estamos vivendo, com a criação deste Movimento, o deadline para a decolagem dos programas de sócio – torcedor aqui no Brasil? A resposta, caro leitor, veremos sendo implementada ao longo dos próximos anos. Temos uma boa oportunidade em campo para que enfim, o valor de nosso campeonato nacional seja proporcional ao nosso tamanho territorial.